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Terreno com olho d'agua

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Terreno com olho d'água.

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Em Exercício Profissional (veja mais 123 artigos nesta área)

por Eng. Manoel Henrique Campos Botelho

Honorários de engenharia : Como é difícil receber !!!



Esta história aconteceu há alguns anos. Recebi uma ligação telefônica convidando-me para dar uma consultoria em tratamento de água para duas estações que funcionavam mal em um estado da federação. E o convite veio com mais um pedido, um honroso convite. Que na minha estada nessa cidade eu desse dois cursos. Seria um trabalho para duas semanas de estadia. E veio em tom alarmante. E venha logo que nossa água está péssima...
Quem me ligava era um engenheiro da prefeitura da cidade e que também dava consultoria para uma indústria que consumia grande volume de água fornecida pelo serviço de água da cidade.

Eu estava cheio de serviços e a ida por duas semanas seria um problema mas, como aprendi com o saudoso Mestre Eurico Cerruti, problema em engenharia se transforma em custo e então propus honorários altos, bem altos, fato aliás que, enfatizo, não é minha rotina, informação que faço agora aos meus futuros possíveis clientes...

Minha proposta de honorários era para ser negociada mas para minha surpresa e alegria a resposta foi:

-- Para ter o senhor aqui, aceitamos sua proposta de honorários.

Então tive de aceitar e daí a uns dias embarquei. Mas falemos da preparação da viagem , item estratégico na vida de qualquer profissional. Para preparar uma viagem tenho uma relação pronta como lista de verificação (check list, se quiserem):
• Carteira do CREA,
• Cartões de visita,
• Óculos de reserva,
• Papel timbrado,
• Cópias de algumas crônicas (só as boas) para dar de presente,

E os itens importantes sem os quais não viajo:
• Talão de recibo de profissional autônomo,
• Talão de notas fiscais de minha firma.

Juntado esse material senti-me preparado para qualquer guerra. O colega que está lendo esta crônica levaria algo mais?
E lá fui.

A recepção no aeroporto foi extremamente cordial e fui avisado que para promover os meus cursos eu daria uma entrevista no jornal da cidade. Comecei a trabalhar e meu contato -- o mesmo colega que me convidara pelo telefone -- revelou-se extremamente organizado e eficiente. Fiz a ele esse elogio mas ele corrigiu-me ao elogiar sua eficiência e falou:

-- Eu procuro ser mais que eficiente. Procuro ser eficaz. Fiz um curso de "modern management" e adoto a política de "full responsability" ou seja, cuido de tudo. Mesmo delegando e terceirizando considero-me responsável por tudo.

Foi realmente delicioso trabalhar com um cliente assim. Passagens entregues na mão, hotel reservado, reuniões agendadas, tudo certo. Passou a primeira semana e tudo ia como descrito e entramos na segunda semana. Como falei, tudo estava ótimo mas o certo era dizer que era quase tudo. Já estávamos na terça feira da segunda e última semana e nada de falarem de pagamento. O fato não me surpreendia pelo inusitado e então de forma suave, muito discretamente, espero, no almoço fiz uma pergunta sutil e inocente:

-- Caro colega, você sabe o número do CGC do órgão cliente para eu ir preparando o recibo de pagamento... Por lei federal todo recibo deve ter CGC...

Claro que na verdade a minha enorme preocupação com o CGC do cliente era uma desculpa para tocar no assunto pagamento. Aí tive uma resposta surpresa do colega que usava a técnica da "full responsability" :

-- Eu cuido de toda a parte técnica, organizacional e estratégica. Agora essa parte do pagamento é claro que não é comigo, mas vou te ajudar e falar com a pessoa que deve estar cuidando disso. Alias conseguimos que quem lhe pague seja a prefeitura da cidade. Tudo deve dar certo.

Notaram a expressão "deve" ? Convenhamos, era sinal de grande preocupação para mim. No dia seguinte fui falar com a pessoa que devia me pagar acompanhado do meu coordenador. A conversa não começou bem. O que ouvi:

-- Como quem vai pagar é a prefeitura cabe uma pergunta. O senhor (ele estava referindo-se a mim) já está cadastrado na nossa lista de fornecedores?

Gelei. Claro que eu não estava cadastrado, mas explicaram-me que era apenas uma rotina. Comprar de um despachante um impresso (claro está que na prefeitura não havia o impresso) e pagar no banco estatal do governo daquele estado. A taxa era mínima, algo como dez reais.

Ponderei preocupado que tudo isso poderia atrasar o pagamento e olhei procurando ajuda ao meu coordenador mas meu olhar de ajuda não encontrou resposta de solidariedade talvez pelo fato da "full responsability" não penetrar no pecaminoso mundo do dinheiro. Aí a pessoa encarregada do pagamento tirou minhas preocupações:
-- Não se preocupe. Pagando no banco, como temos um sistema modernismo de informática em tempo real, dai a um milionésimo de segundo sua firma estará cadastrada como nosso fornecedora. Feito isso solicitaremos da nossa assessoria jurídica autorização para contratá-lo sem concorrência e até sexta feira poderemos emitir a ordem de pagamento.

Detalhe: eu ia voltar no vôo noturno dessa sexta feira e portanto no caminho critico, eu estava sem volta. Por um segundo pensei em mostrar uma certa irritação pelo fato do pagamento estar cercado de tantos problemas tendo até que passar pelo Depto Jurídico. Foi bom eu não ter estourado pois novas más noticias estavam por chegar. Atenção para a próxima pergunta feita pelo homem chave do meu pagamento:
-- Como o senhor deve saber, só pagamos por ordem de pagamento para conta bancária no banco do nosso estado. É para valorizar nossa economia. Sua firma seguramente deve ter conta no nosso banco, não tem ?

Não, eu e nem minha firma tínhamos conta bancária no banco estatal daquele estado. Meio desesperado alertei desse fato e ouvi com a calma dos anjos justos:

-- Se não tem conta basta abrir. Precisa do contrato social da firma e da assinatura dos sócios estatutários (minha esposa, entenda-se, e que estava a milhares de quilômetros do local).

Ai estourei. Mostrei que na negociação que fizera pelo telefone nada disso fora me alertado e que eu trouxera o máximo que era o talão de notas fiscais e recibo e que seria impossível para mim trazer mais coisas. Acho que fui contundente e as duas pessoas presentes, o pagador e o coordenador "full responsability" ficaram preocupados e decidiram:
-- Procurar de imediato o secretário de finanças da prefeitura para autorizar "in extremis" um pagamento direto,

-- Procurar o departamento jurídico para apressar a liberação do contrato. Chegou quarta feira e quinta feira e nada de noticias. A sexta feira data da volta chegava de forma ameaçadora...

Eu já demonstrava no trabalho uma certa irritação principalmente face uma ligação de casa que meus familiares fizeram, solicitando que como eu estava perto da fronteira e como ia receber altos honorários, devia levar para casa uma lista de coisas estrangeiras. Eu só pensava: se eu receber....

Só na sexta feira de manhã o Depto Jurídico liberou o contrato e só as três e meia da tarde pude ir ao banco para receber. O pagamento seria em dinheiro face a excepcionalidade do fato. Ponderei ao meu coordenador que seria problemático viajar com dinheiro na mão principalmente levando em conta que face à alta inflação da época a quantidade de notas era enorme quando ele teve uma idéia genial.

O meu banco (leia-se banco que tenho conta) tinha uma agência em frente à agência do banco estatal. Bastava eu atravessar a rua com o dinheiro na mão que eu faria o depósito na minha conta no meu banco graças aos sistemas de computação que servem aos bancos do pais. Assim foi e tão logo recebi, atravessei a rua e faltando cinco minutos para se encerrar o expediente bancário lá estava eu com o dinheiro diante do caixa e feito o depósito dai a um milionésimo de segundo o dinheiro estaria na minha conta bancaria em S.Paulo. Ai aconteceu mais uma etapa da odisséia. O caixa do meu banco avisou :

-- Não podemos aceitar seu depósito pois nosso sistema nacional de computação esta fora do ar. Nosso estado tem defasagem de três horas em relação ao horário de Brasília. Neste momento só aceitamos depósitos para o nosso estado. Gelei e acompanhado pelo coordenador "full responsability" fui falar com a gerente do banco que declarou:

-- Não tenho como alterar o sistema de computação do banco. Uma solução é o senhor deixar o dinheiro em confiança comigo e eu deposito na segunda feira para o senhor...

Ai o coordenador "full responsability" que estava em silêncio sepulcral falou quando seguramente não devia ter falado:

-- Botelho, pode deixar o dinheiro com a gerente em confiança. Eu conheço o primo dela e é boa gente... Seguramente segunda-feira ela deverá depositar o dinheiro na sua conta...

Como dizer não nessa situação? Eu não queria mas qual outra alternativa? Todavia era visível o meu constrangimento. Deixar com uma pessoa estranha o meu rico dinheirinho... Ai uma funcionária que acompanhava a conversa lembrou:

--Uma outra alternativa será comprar um cheque administrativo no valor do dinheiro.

Enfim uma luz no túnel. Expliquei a gerente que não queria sobrecarrega-la de responsabilidades e com a maior das felicidades mandei fazer o cheque administrativo em tão boa hora lembrado. Foi a salvação. Paguei o valor da emissão do cheque administrativo e finalmente pus a mão no dito cujo.

O final foi feliz apesar de todos os sustos e receios. Deu ainda tempo de voltar ao hotel e participar do coquetel de despedida de um local tão amigo. Comprei os presentes para a família e viajei com o cheque administrativo junto do coração.

Agora um desabafo. Se eu fosse um cirurgião plástico ou um advogado será que o tratamento seria esse? Deixo a questão para os leitores pensarem...

Texto publicado sob permissão do autor:

Manoel Henrique Campos Botelho
Eng. Civil e autor do livro Concreto Armado Eu Te Amo
Email: manoelbotelho@terra.com.br
Cx. Postal 12.966 -- CEP 04009-970 -- S.Paulo SP

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