

Já se vai longe aqueles tempos heróicos, do início da reprodução de som em alta fidelidade. Porque heróicos? Porque era caro e complicado reproduzir música com qualidade aceitável.
Os mais velhos (ou menos jovens) devem se lembrar das rádio-vitrolas que existiam na casa dos nossos pais e avós (vide ao lado). Eram móveis enormes, que acoplavam um toca discos de vinil a um sintonizador de rádio. Eram um símbolo de status para a família, pois custavam muito caro e era preciso ter uma sala suficientemente grande para alojar aquele “monstrengo”.
Mas o som... era maravilhoso, mesmo para os dias atuais. Aquelas caixas de som grandes, com enormes alto grandes, eram capazes de reproduzir música de maneira agradável e envolvente... claro, descontando-se os crick-cracks e chiados dos antigos LPs. Estamos falando aqui de acontecimentos que começaram na década de 50 e foram até finais da década de 60.
Por esta época (final dos anos 60) começaram a aparecer os LPs com som estereofônico, isto é, dois canais de som que eram reproduzidos em duas caixas acústicas colocadas à frente do ouvinte, dando a sensação de ambientação e de direcionamento do som, para simular a presença dos músicos ao vivo. Na mesma ocasião, começaram a aparecer os amplificadores e gravadores transistorizados, que tinham potência superior às antigas vitrolas e que alimentavam caixas de som de diversos tamanhos, algumas bem pequenas e outras enormes.
De novo, a decoração da sala teve que se adaptar aos novos tempos, agora não era só um “monstrengo” que ocupava a sala, eram três – além das duas caixas acústicas, havia um móvel para abrigar o amplificador, o receptor de AM/FM, eventualmente um gravador de fita (cassete ou rolo) e, claro, a coqueluche daqueles tempos, o tocador de discos de vinil. Alguns entusiastas chegavam a colocar quatro caixas acústicas, ou seja, além das duas frontais havia mais duas traseiras para aumentar o envolvimento do som.
Em meados da década de 70 surgiu o videocassete, grande revolução de costumes, pois agora se podia assistir aos filmes em casa, sem ter que ir ao cinema, e na hora em que bem entendêssemos.
Novamente a decoração teve que adaptar a mais um equipamento, que tinha que ficar perto da televisão. Começou-se também a fazer móveis enormes que abrigavam vários dos sonhos de consumo da época: uma televisão colorida de 20” (luxo supremo!), um ou mais videocassetes (para fazer cópia dos filmes), amplificador ou receiver, gravador cassete, gravador de rolo, sintonizador de FM e, para os mais puristas, equalizador gráfico para afinar ao máximo a qualidade do som.
Em meados da década de 70 surgiu também a quadrifonia, onde o som era dividido em quatro canais ao invés dos dois do sistema estéreo. Mas era difícil reproduzir quatro canais nos discos de vinil, e a idéia logo foi abortada voltando-se à estereofonia tradicional.
Mas a quadrifonia não foi esquecida. O surgimento dos CDs de música, em meados da década de 80, trouxe um novo padrão para a reprodução de música. Ao invés de utilizar processos analógicos, os sistemas digitais trouxeram novas possibilidades para o lazer doméstico que culminaram no lançamento, no final dos anos 80, dos discos óticos contendo filmes, “bolachões” de 12” que evoluíram e se transformaram nos DVDs que temos atualmente.
O DVD trouxe consigo a possibilidade de se ter som de altíssima qualidade e dividido em vários canais, cada um com parte da informação sonora para aumentar a ambiência e também para gerar aqueles graves retumbantes que aumentam muito a percepção de um terremoto ou explosão realçando as cenas do filme.
Muitas pessoas ainda se confundem com os termos usados na reprodução de som em vários canais, por isto façamos uma pausa para explicar melhor o que são estes vários canais.
O som posicional, também chamado de Surround
Como já vimos, no início da reprodução sonora usava-se apenas uma caixa acústica, posicionada em frente ao ouvinte. Com a chega do som estéreo começou-se a utilizar duas caixas que, para uma melhor imagem sonora, precisavam ficar à frente do ouvinte e de maneira eqüidistante.
Os sistemas evoluíram, hoje é comum ouvir que determinado sistema de som é 5.1, 6.1 e assim por diante, como se isto fosse necessariamente bom.
Na verdade, estes números representam a quantidade de canais que reproduzem o som e estes números não significam que um sistema 7.1 seja necessariamente melhor que um 4.1 ou 4.0. Mas o que significam estes números?
O primeiro deles (antes do ponto) representa a quantidade de canais com informação musical significativa, ou seja, as freqüências médias e agudas às quais o ouvido humano é mais sensível. São aquelas vibrações sonoras na faixa da fala humana, algo em torno de 300 a 1.000 Hz.
O segundo número (depois do ponto) significa a quantidade de canais para reproduzir os sons graves, tipicamente, abaixo de 150 Hz. Estes sons são reproduzidos pelas caixas maiores, que geralmente ficam no chão e que são comumente chamadas de “sub-woofers”.
O termo “woofer” indica os falantes maiores, capazes de reproduzir os graves. O adendo “sub” serve para enfatizar que o “sub-woofer” está lá para reproduzir os “graves ainda mais graves”.
Como os graves são pouco direcionais, ou seja, o ouvido humano tem dificuldade em saber de que direção estão vindo, não importa muito onde fica localizado o sub-woofer, desde que tenha ar livre ao seu redor, que vai vibrar e espalhar o som pelo ambiente.
Assim, em resumo temos o seguinte:
Sistema 2.0 – É o estéreo tradicional, onde existem duas caixas acústicas que reproduzem todos os sons, do grave ao agurdo.
Sistema 2.1 – É o estéreo com sub-woofer, onde as caixas frontais reproduzem os graves altos (a partir de 150 Hz) e o sub-woofer reproduz os graves extremos, abaixo de 150 Hz.
| “Home Theater” ou “Home Theatre”?
Na verdade, para nós, brasileiros, tanto faz... os dois significam “Teatro” ou, mais especificamente no caso, algo como “Sala de exibição” ou “Cinema”. A diferença de grafia é porque nos EUA se escrever “Theater” e, na Inglaterra, se grafa “Theatre”. Assim, encontra-se na literatura os dois termos e ambos estão corretos, dependendo do país de onde procedem. Aqui para nós, brasileiros, pode-se usar os dois, mas o mais comum é “Home Theater” pois a maior parte dos equipamentos comercializados por aqui foram fabricados originalmente para o mercado americano e “herdaram” a grafia de lá em sua publicidade e documentação. |
Fiação -- Outra questão que o arquiteto ou decorador deve atentar refere-se à fiação. Um sistema de home theater completo tem vários aparelhos, precisa de muitas tomadas e conexões. Além da alimentação de energia elétrica, é preciso prever ponto de telefone (para sistemas de pay-per-view), ponto de antena coletiva (para condomínios), ponto de TV a cabo, tubulação para a fiação dos alto-falantes e eventualmente até mesmo a ligação à antena parabólica.
| Sistemas wireless
Uma das maiores queixas das donas de casa em relação ao home theater é a questão dos fios. O problema é tanto maior nos imóveis construídos sem previsão para home theater, ou seja, a esmagadora maioria dos lares brasileiros... Mas existe uma luz no fim do túnel, com a chegada dos sistemas wireless. Já conhecidos dos usuários de notebooks os sistemas wireless (sem fio) aos poucos estão se popularizando também nos sistemas de som, hoje se encontra aparelhos com preço acessível e que não precisam de fios para interligar o amplificador às caixas acústicas. Entretanto, os sistemas ainda não conseguiram se livrar dos cabos de telefone, antena e de energia elétrica. Quem sabe dentro de alguns anos... |
Ar condicionado -- Pode parecer luxo para alguns, mas o fato é que um ambiente adequado para home theater precisa de ar condicionado. Muitas pessoas gastam milhares de reais nos aparelhos e nos móveis, e se recusa a gastar pouco mais de mil reais para adquirir um sistema decente de ar condicionado. Aí, quando está assistindo um filme, perder os detalhes porque passou um ônibus na rua ou o vizinho resolveu escutar música alto... Mas de nada adianta colocar aparelhos de ar condicionado de parede, o ideal é ter um sistema do tipo split ou central, onde o compressor (grande fonte de ruídos) fica do lado externo da edificação.
Com isto, pode acontecer de haver uma turma assistindo a um filme enquanto outros, menos interessados, podem ficar no bar batendo um papinho, jogando um carteado ou lendo, mas sem perder de vista o filme e sem atrapalhar o pessoal que está realmente interessado no show.
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Comentários dos leitores:|
Nossos leitores já fizeram 1 comentário sobre este artigo: De: Iracema Ferreira (em 2007-04-25 18:04:25) Acústica Obrigada por sua resposta, pelo que pude perceber a Senhora é muito solicitada pelo fórum da construção. Mas eu ainda tenho dúvidas, qto aos sons externos. Gostaria de saber se é preciso fazer paredes duplas onde no meio se coloca folhas de isopor. Ou paredes simples têm o mesmo efeito? Se só o concreto no teto é sufificiente? Como a vida quase toda vive em apto. e o lugar que comprei o terreno (pois aptos neste lugar são caríssimos)tem barulho de cachorros e de festas nos finais de semana. Estou procurando ajuda no sentido de alguem me orientar na melhor vedação possivel, para que a gente não precise reclamar de ninguem. Espero anciosamente sua resposta.
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