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Em Alvenaria estrutural (veja mais 13 artigos nesta área)

por Arq. Iberê M. Campos

Procedimentos e cuidados na execução de alvenaria



Em nossos artigos anteriores sobre alvenaria mostramos os diversos tipos de tijolos e também como fazer as amarrações e junções para formar paredes de ½ tijolo, 1 tijolo ou maiores. Agora, veremos a forma de levantar as paredes com os devidos cuidados para evitar trincas e desalinhamentos.
A alvenaria é usada com a função de vedação, mas pode pode também ser parte da própria estrutura da construção. São constituídas por tijolos, blocos de concreto ou até mesmo de pedras naturais unidas com argamassa (veja artigo anterior). Estas alvenarias com pedra natural são um caso a parte, pois têm uma técnica de execução própria e que varia dependendo da finalidade do muro e do tipo de pedra. As dicas que mostraremos aqui servem para as alvenarias feitas com tijolo comum ou laminado, assim como para blocos de concreto e de solo-cimento, ou seja, elementos construtivos com dimensões pré-determinadas e constantes.

Seja como elemento estrutural ou como simples vedação, as alvenarias são sempre assentadas em cima de uma base. Esta pode ser o baldrame, alicerce ou algum outro elemento estrutural, acompanhe:
• Baldrame – Dá-se este nome à viga da fundação que serve justamente de base para a alvenaria, ficando ao rés do chão. O baldrame deve ser devidamente impermeabilizado, sendo preciso esperar ao menos um dia para a secagem completa da camada de impermeabilização antes de se iniciar a alvenaria sobre ele.
• Alicerce – Em pequenas obras, com fundação rasa, ou mesmo em obras que utilizam vigas baldrame, é preciso fazer levantar algumas fiadas de tijolos, devidamente impermeabilizadas, para interligar a fundação às paredes. Esta pequena parede costuma-se chamar de alicerce, frequentemente confundida com o baldrame, mas são coisas distintas.
• Elemento estrutural -- São vigas ou lajes de concreto armado, podendo também ser algum elemento da estrutura metálica. Em qualquer destes casos provavelmente estaremos falando de paredes longe do solo, no primeiro pavimento ou acima dele.

Planejamento o levantamento das paredes

O projeto arquitetônico determinará se cada parede será de 1/2 tijolo, 1 tijolo ou até maior. Seja como for, o serviço sempre é iniciado pelos cantos principais, devidamente posicionados pelo mestre de obras que usará para isto o gabarito da obra, para paredes no térreo, ou a planta estrutural junto com a de arquitetura, para obras que tenham um ou mais pavimentos.

Feita esta localização das paredes no plano horizontal, resta fazer a localização das fiadas no plano vertical, o que deverá ser planejado com precisão. Muitos pedreiros deixam de fazer este planejamento das fiadas, dizendo que “ora, depois eu acerto na massa”, mas este é um engano e leva a desperdícios. O correto é prever quantas fiadas serão necessárias para alcançar a altura do respaldo das paredes evitando recortes no final destas. O levantamento da parede de modo desordenado, além de dar muito mais trabalho no acabamento, piora o aspecto e pode diminuir a resistência.

Mas como fazer este planejamento? É mais fácil de entender através de um exemplo: digamos que o baldrame esteja na cota -0,05 e o respaldo da parede (onde se apoiará a laje ou uma viga) está na cota +2,75. A parede terá portanto 2,80m de altura. Se estivermos usando tijolo de 6cm de altura e com 1,5cm de argamamassa serão 7,5 cm entre as fiadas. Portanto, teremos:

2,80 : 0,075 = 37,3 fiadas.

Não queremos trabalhar com este número quebrado, pois seria preciso faze um enchimento com massa para que a parede atingisse a cota prevista. Portanto vamos aumentar a quantidade de fiadas para 38, então teremos que passar a altura média da fiada para:

2,80m : 38 = 0,0737 = 7,37cm

Neste caso, como o tijolo em uso tem 6 cm de altura, a altura média da argamassa de assentamento será de:

7,37 – 6 = 1,37 cm.

Ao invés dos 1,5 cm previstos inicialmente.
Poderíamos também ter diminuído a quantidade de fiadas para 37, deixando a massa um pouco mais grossa, enfim, com esta continha inicial fazemos com que a última fiada da parede chegue exatamente na altura prevista em projeto.

Feito este cálculo podemos fazer a régua (ou “cantilhão”), que nada mais é do que uma régua ou sarrafo perfeitamente reto onde marcamos as 37 fiadas e colocamos perfeitamente no prumo exatamente num dos cantos principais. Fazemos outra régua e colocamos na extremidade oposta, conforme mostra a figura abaixo:


Fazemos então a marcação da parede, usando o cantilhão devidamente alinhado e aprumado. Com isto, o pedreiro pode iniciar o levantamento da parede, sempre pelos cantos. Coloca algumas fiadas de um lado e do outro, depois vai esticando a linha entre os dois lados e preenchendo o meio com uma fiada completa de tijolos -- claro, mantendo as devidas amarrações, conforme mostramos no artigo anterior. O pedreiro vai fazendo esta seqüência até o final, ou seja, até chegar ao respaldo da parede. Neste ponto, a parede esta estará perfeitamente nivelada, no prumo e na altura correta. Este procedimento vai se repetindo ao longo de todas as paredes do mesmo pavimento.

Alvenarias feitas com este cuidado são mais econômicas, economizando material e tempo de execução, além de ter maior resistência à compressão, sendo perfeitamente adequadas para uso como alvenaria estrutural. Se o projeto arquitetônico prever alvenaria aparente, então o planejamento de cada parede e o levantamento com cantilhão são medidas obrigatórias, para não ficar aquele aspecto horrível de coisa mal feita e improvisada.

Aproveitamento dos tijolos

Os tijolos que chegam à obra sempre contém certa porcentagem de peças partidas. Estes pedaços podem ser aproveitados nos alicerces e nos travamentos das paredes de 1 tijolo. Se a parede for de ½ tijolo e revestida pode-se também usar estes pedaços, mas se a parede for de ½ tijolo e ficar à vista estes pedaços devem ser evitados pois atrapalham a amarração e ocasionam falhas no alinhamento e no prumo.

Mesmo que os tijolos venham da mesma olaria terão diferenças de dimensão entre si. Este é um fato natural, visto que indústria de tijolos utiliza métodos arcaicos, incapaz de controlar com precisão as variações de medida do próprio material -- argila, para cerâmica, ou cimento e areia, para blocos de concreto.

Justamente por estas variações de medida é que o pedreiro deve seguir estritamente a régua com a marcação (o cantilhão). Eventuais diferenças precisam ser compensadas a cada fiada para que, ao chegar no respaldo, esteja tudo devidamente ajustado. As diferenças de dimensão nos tijolos devem ser amortecidas a cada fiada, aumentando ou diminuindo a espessura da argamassa.

Cuidados a serem tomados

Para que se tenha uma alvenaria perfeita e que dure por muitas e muitas décadas é importante que a parede seja feita sobre base firme. Entretanto, mais importante que isto, seria bom que o pedreiro seguisse alguns procedimentos importantes mas que, infelizmente, são desprezados pela esmagadora maioria dos profissionais que, via de regra, trabalham por empreitada e querem terminar seu serviço o quanto antes, ou seja, o relaxo é uma atitude compreensível mas não justificável. Em nossa opinião, o bom profissional deveria ter orgulho de seu trabalho e, portanto, deveria procurar fazê-lo da maneira mais irrepreensível de que fosse capaz. Bem, vamos então às regras tão importantes mas que, infelizmente, nem sempre são seguidas:

1 – Os tijolos devem ser molhados pouco antes do assentamento, para facilitar a aderência pela eliminação da camada de pó que costuma envolver as peças. A molha serve também para impedir que o tijolo absorva a umidade da argamassa, que fica com menor aderência e resistência à compressão.

2 – Nem precisaríamos dizer isto, mas em todo caso vá lá: é importante que o pedreiro mantenha prumo e nível perfeitos na disposição das diversas fiadas. Se o pedreiro calcula as fiadas e monta a régua, conforme mostramos acima, o prumo será quase que automático, mas o correto seria o pedreiro conferir o prumo da parede a cada duas ou três fiadas, no caso de tijolos comuns, ou a cada fiada, no caso de peças maiores como tijolo baiano ou bloco de concreto.

3 – As juntas devem ser desencontradas e no formato de amarração escolhida para cada parede. Deve-se evitar a “sorela”, ou seja, a sobreposição de juntas, que diminui a resistência da parede naquele ponto.

4 – A espessura ideal da junta é de 1 cm, mas é aceitável que ela fique com até 1,5 cm. Eventuais variações devem ocorrer única e exclusivamente para ajustar a quantidade de fiadas à cota de respaldo da parede e também para compensar eventuais diferenças de medidas nos tijolos, mas sempre mantendo o nível da fiada e o prumo da parede.

5 -- Saliências maiores que 4,0 cm deverão ser previamente preenchidas com os próprios tijolos da alvenaria, sendo vetado o uso da argamassa para este tipo de enchimento. Além de mais caro, este tipo de enchimento torna-se um possível ponto de trinca por ter resistência e coeficiente de dilatação diferentes do restante da parede.

6 -- Não se deve cortar tijolo para formar espessura de parede, ou seja, a espessura da parede deve ser conseguida em função da largura do tijolo e não ao contrário.

7 -- Paredes apoiadas sobre vigas contínuas devem ser levantadas simultaneamente, ou seja, durante sua execução não devem ter diferença de altura superior a 1 m.

8 -– Quando a alvenaria estiver sendo usada apenas para vedação, ou seja, enchimento de vãos nas estruturas de concreto armado, são necessárias providências especiais para evitar que a alvenaria trinque junto à viga que fica imediatamente acima. A execução da parede deverá ser suspensa a uma distância de cerca de 20 cm do respaldo, para só depois de 1 ou 2 dias terminar a parede fazendo o que se chama de “encunhamento”. Este é feito com tijolos inclinados ou cortados em diagonal conforme mostra a figura ao lado. Deve-se tomar o cuidado de usar inclinações diferentes nas duas seções ou partes do painel.

9 -- Não executar paredes de meio-tijolo com comprimento maior que 5 m. Caso o pano seja maior que isto deve ser prevista uma ou mais colunas de amarração, feitas com concreto armado ou até mesmo com o próprio tijolo.

10 -- Não construir paredes de espessura inferiores a meio-tijolo. Em alguns poucos lugares, por motivos decorativos, pode ser aceitável fazer paredes com tijolos em espelho (¼ de tijolo) mas esta deverá ser estruturada, pois é muito frágil.

11 -- Vãos de porta devem ter uma vergas em cima do vão, e os peitoris das janelas devem ter contravergas. Com isto evita-se as trincas a 45º que aparecem nos cantos das portas e janelas em paredes mal feitas.

12 -- Para fazer laje de concreto armado apoiada em alvenaria, deverá ser construída no respaldo, juntamente com a laje, uma cinta de concreto armado com seção mínima de 11 x 11 cm. A função desta cinta é distribuir uniformemente tanto o peso da laje quanto sua movimentação, evitando trincas na alvenaria.

13 -- Cargas concentradas, caso de vigas apoiadas nas paredes, não deverão ficar apoiadas diretamente na alvenaria, mas sim em coxins de concreto armado. Se for uma viga madeira do telhado ou piso que precisa apoiar-se na alvenaria, este apoio pode ser feito com um pedaço da própria madeira ou de uma viga de madeira dura, de bitola 6x12 ou 6x16 cm.

Em resumo...

O leigo, quando pensa em construir, costuma logo se lembrar das paredes. Nada mais natural pois, além das paredes estarem entre os itens mais visíveis, são um dos símbolos de uma casa, pela sua solidez e sensação de proteção.

Infelizmente, está cada vez mais difícil, principalmente nos grandes centros, achar mão-de-obra com conhecimento e paciência para fazer uma alvenaria como deve ser feita. Cabe a nós, arquitetos, engenheiros e construtores, zelar para que não se perca esta arte tão importante para a qualidade e estética das nossas obras, treinando a mão-de-obra e exigindo que se utilize as boas normas de levantamento de paredes.

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