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Em Alvenaria estrutural (veja mais 15 artigos nesta área)

por Arq. Iberê M. Campos

Alvenaria com tijolos comuns



Em nosso artigo anterior sobre Alvenaria Estrutural citamos que você provavelmente já conhecia este sistema, talvez até já tenha morado em uma residência feita com Alvenaria Estrutural. Com efeito, antigamente era comum construir sobrados residenciais com tijolos maciços de barro. Esta técnica é bem antiga e serviu de base para todos os tipos de alvenaria, inclusive a Estrutural. Vale a pena conhecê-la.
Por definição, alvenaria é toda obra constituída de elementos como pedras naturais, tijolos ou blocos de concreto, ligados ou não por argamassa. Em nosso artigo anterior mostramos os vários tipos de elementos que podem ser usados nas alvenarias.

Quando se fala em alvenaria geralmente se pensa em paredes, mas a alvenaria também é usada em blocos de fundação, muros de arrimo e colunas, sem falar de obras estruturais como arcos e abóbadas, como se utilizava na antiguidade, ou seja, antes do concreto armado. Muitas igrejas foram construídas com alvenaria estrutural em arco estrutural e/ou arco botante e estão lá, firmes e fortes, há séculos.

Isto porque a parede de alvenaria satisfaz plenamente as condições de resistência e durabilidade por si só, desde que utilizados de forma que as cargas sobre ela sejam só de compressão, sem flexão ou cizalhamento.

No artigo anterior vimos os diferentes tipos de tijolos para alvenaria, agora vejamos a alvenaria básica, aquela feita com tijolos comum.

Fabricação do tijolo comum

A matéria prima do tijolo comum é a argila misturada com um pouco de terra arenosa. Depois de selecionada e misturada a argila é misturada com água até formar uma pasta, que é moldada em formas apropriadas que vão dar o formato ao tijolo. As formas são retiradas com a massa ainda mole, os tijolos crus são deixados a secar no sol formando o que se chama de adobe.

Uma vez atingida a dureza inicial e retirado o excesso de umidade, os tijolos são cozidos em fornos com temperatura entre 900 a 1.100ºC. As peças que ficarem mais próximas do fogo ficarão mais escuros e terão resistência física maior. A cor do tijolo varia com o tipo da argila, porém a mais encontrada é aquela que fica entre o vermelho e o amarelo.

Como saber se o tijolo é bom?

Testes mais específicos, para selecionar material em obras de responsabilidade maior, precisam ser feitos em laboratório. Mas com um pouco de experiência e algumas dicas básicas será possível fazermos um bom exame preliminar:

• O tijolo bem cozido produz um som peculiar quando batido com a colher de pedreiro. Através da sonoridade pode-se distinguir o grau de cozimento, quando mais metálico e firme for o som melhor será o tijolo.

• Outro teste para saber se o tijolo é bom é quebrá-lo e verificar seu interior. Se o meio ainda estiver meio barrento ou com cor mais escura é sinal de que o tijolo está mal cozido.

• A superfície do bom tijolo é porosa e áspera, suas arestas são vivas e duras. Quando quebrado apresenta saliências e reentrâncias.

• A absorção da água deve estar por volta de 7% do peso do tijolo, que deveria variar entre 2 a 3 kg, mas infelizmente hoje se encontra tijolos até mesmo de 1 kg...

Formato e dimensões

Tipos especiais de tijoloO tijolo comum pode ter vários formatos, atendendo a várias finalidades como paredes curvas, cantos arredondados e efeitos decorativos. Além do tradicional em formato de paralelepípedo existem os redondos e os fracionados: meio-tijolo no sentido horizontal e meio-tijolo no formato vertical. Existem também com largura de e 1/4 de tijolo, usados no revestimento de fachadas. Algumas olarias fornecem peças com meio-corte, para facilitar a separação das metades na obra, mas nada impede que se corte com uma serra elétrica ou até mesmo com a colher de pedreiro. Já também os em formato de tramela e em curva (vide ilustração ao lado)

As medidas dos tijolos seguem a chamada “Regra de Frisch” que determina que o comprimento (C) deve ser igual a duas vezes a largura (L) mais a espessura da junta (J), e também que a largura (L) seja duas vezes a altura (H) mais a espessura da junta, ou seja,

C = 2L + J

e também

L = 2H + I

Estas proporções foram pensadas para possibilitar diferentes formas de assentamento, conforme veremos a seguir. Considerando-se a junta de 1 cm conseguimos as seguintes medidas (em cm):

MEDIDAS DE TIJOLOS COMUNS SEGUNDO A REGRA DE FRISCH
JUNTA DE 1 CM
C (cm) L (cm) H (cm)
23 11 5
20 9,5 4,25
11 8 3,5

Entretanto, atualmente é quase ficção imaginar que um pedreiro vai ter a paciência de trabalhar com junta de 1 cm. O mais realista seríamos falar em junta de 1,5 cm, assim teríamos as seguinte medidas:

MEDIDAS DE TIJOLOS COMUNS SEGUNDO A REGRA DE FRISCH
JUNTA DE 1,5 CM
C (cm) L (cm) H (cm)
23 10,75 4,63
21 9,75 4,13
17 7,75 3,13


Devemos alertar que estas medidas são teóricas. Na prática o que se encontra no mercado é bem diferente, por isto é conveniente saber a regra de Frisch para poder fazer o cálculo da junta em função do material adquirido. A espessura da junta influi também na quantidade de tijolos por m², conforme vemos a seguir:

Quantidade de tijolos por m²

Em função do tamanho dos tijolos e da espessura da junta podemos calcular quantas unidades de tijolos precisamos para preencher um metro quadrado de alvenari, e, a partir daí, chegar ao consumo de material. O cálculo é bem simples, basta ver quantos tijolos precisamos na horizontal, quantos na vertical e multiplicar um pelo outro, ou seja,

N = TH x TV

Onde:
N = Número de tijolos por m²
TH = Quantidade de tijolos na horizontal, por metro linear
TV = Quantidade de tijolos na vertical, por metro linear

A variável TH é igual a:


TH = 100 / (C + J)

Enquanto que:

TV = 100 / (H + J)

Exemplo: supondo-se uma parede de ½ tijolo de 23 x 11 x 5 e junta de 1 cm, temos:

N = 100 / (23 + 1) x 100 / (5 + 1) = 4,2 x 16,7 = 70

Portanto, para esta parede precisamos de 70 tijolos por m².

Outro exemplo: parede de 1/2 tijolo feita com tijolos de 21 x 9,8 x 4,1 e junta de 1,5 cm. Neste caso ficaria assim:

N = 100 / (21 + 1,5) x 100 / (4,1 + 1,5) = 79

Nos exemplos acima, fizemos o cálculo para paredes de ½ tijolo. Se a parede for de 1 tijolo de espessura, basta multiplicar o resultado por 2.

Tipos de parede com tijolo comum

As paredes feitas com tijolo comum se diferenciam pela espessura e, consequentemente, pela maneira com que os tijolos são assentados. Assim, temos as espessuras de ½ tijolo, 1 tijolo, 1 ½ tijolo e até de 2 tijolos ou mais. Aqui em São Paulo temos vários prédios construídos em alvenaria estrutura de mais de 2 tijolos como, por exemplo, os prédios antigos da Universidade Mackenzie e as construções da antiga Rede Ferroviária, uma das quais virou um requintado auditório.

Para cada largura de parede é feito um tipo de amarração dos tijolos. A intenção é desencontrar as juntas e com isto conseguir maior resistência ao cizalhamento, além de melhorar o comportamento geral da alvenaria quando recebe as cargas, ou seja, a parede fica mais resistente com as juntas devidamente amarradas. Veja a seguir as amarrações feitas nos diversos tipos de alvenaria com tijolo comum:

Alvenaria de ½ tijolo

É a mais usada para as paredes internas, pois recomenda-se que as paredes externas ou que recebem mais carga sejam feitas com espessura de 1 tijolo (vide a seguir). As alvernarias de ½ tijolo devem ser feitas com as juntas desencontradas fiadas a fiadas, inclusive nas junções de parede. Vide o desenho a seguir:



No desenho acima vemos a junção de duas paredes de ½ tijolo, onde a primeira fiada é assentada normalmente enquanto que a segunda fiada é desencontrada da primeira exatamente a metade do comprimento do tijolo. A terceira fiada será igual à primeira, a quarta igual à segunda e assim por diante. Quando ocorrer o cruzamento de duas paredes o procedimento será o mesmo, conforme mostrado na figura abaixo:



Quando ocorrer a a junção entre parede de ½ tijolo e outra de 1 tijolo as fiadas ficam desencontradas da mesma forma, conseguindo a amarração necessária, vide figura abaixo:



Seguindo estes mesmos princípios para desencontrar as juntas, é só usar a criatividade e conseguiremos solucionar os mais diversos tipos de encontros. Vejamos então como fica no caso de paredes de 1 tijolo:

Alvenaria de 1 tijolo

A idéia é a mesma, ou seja, deslocar as fiadas ½ tijolo de uma para outra, só que aqui o deslocamento acontece juntamente com um travamento no mesmo sentido da colocação dos tijolos, conforme ilustra a figura a seguir:



Repare no desenho acima que há duas alternativas de travamento. O primeiro caso é usado quando o tijolo vai ficar à vista, pois quem olha a parede de um lado não sabe se ela é de 1 ou de 1/2 tijolo pois a amarração é igual. Entretanto, em paredes de mais responsabilidade o certo é usar a alternativa 2, pois causa uma distribuição mais uniforme das cargas.
Atualmente não se costuma usar outras espessuras de alvenaria de tijolo maciço, mas é possível fazer também de 1½ tijolo e até de 2 tijolos ou mais. Os cuidados são os mesmo, as juntas devem ser desencontradas o tanto quanto possível.

Execução de pilares

Além de servirem para paredes de vedação ou estruturais, os tijolos maciços se prestam muito bem à execução de pilares, meramente decorativos ou mesmo com função estrutual sendo comuns em varandas, por exemplo, pelo seu efeito estético. A figura abaixo mostra algumas possibilidades de pilares executados com tijolos maciços:



Analisando a figura acima, vemos ser possível fazer pilares simples -- dois tijolos lado a lado e aproximadamente 24 x 24 cm de largura -- até pilares de dois tijolos -- aproximadamente 48 x 48 cm -- passando pelo pilar de 1 ½ tijolo e cerca de 37 x 37 cm.

Note que nos pilares feitos com mais de 1 tijolo fica um espaço central, que pode ser deixado vazio ou pode ser preenchido com cacos de tijolos ou até mesmo com concreto armado, para aumentar a resistência do pilar, tanto à compressão quanto à flexão, fator muito importante quando o pilar vai ser usado para fixar uma viga de telhado. A dilatação térmica da estrutura pode causar esforços de flexão no pilar e o consequente rompimento da alvenaria.

Formato das juntas

A forma e o acabamento das juntas nas alvenarias, principalmente as que ficarão aparentes, pode influir na qualidade e na durabilidade. A figura abaixo mostra os tipos de junta mais comuns.



As juntas côncavas, planas e em “V” são recomendáveis, enquanto que não se recomenda as juntas rebaixadas pois diminuem a área de contato com o tijolo e aumentam a fragilidade do canto do tijolo, que pode se romper mesmo com um pequeno choque, além de facilitar a infiltração de umidade, retenção de poeira e formação de limo. Além das juntas acima, também se pode fazer nos formatos abaixo:



As chanfradas e as aprofundadas são recomendáveis, enquanto que as corridas e com chanfro invertido devem ser evitadas.

Conclusão

Há muito o que dizer sobre as alvenarias com tijolos comuns, vimos aqui apenas uma pequena introdução. O tijolo comum é muito versátil, mas vem sendo condenado pois sua execução precisa dos fornos a lenha, que devastam as florestas e poluem o ar, assim os preocupados com as construções sustentáveis e ecologia recomendam o uso dos tijolos laminados pois consomem menos energia na sua execução. Poderíamos também citar o uso dos tijolos de solo-cimento, que podem ser feitas nos mesmos formatos e usados nas mesmas finalidades que o tijolo comum, infelizmente a sociedade ainda não descobriu as vantagens do tijolo de solo-cimento.

Os conceitos básicos que vimos aqui neste pequeno artigo em relação ao assentamento servem também para alvenarias feitas com outros elementos como blocos de concreto, tijolos laminados e outros.

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