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Dýnamis agora é TriGeo!

Em seu 25º aniversário a Dýnamis Engenharia Geotécnica passa para uma nova fase de desenvolvimento e amadurecimento e, a partir de agora irá se concentrar na Consultoria Geotécnica através do Eng° Mauro Hernandez Lozano, criador e fundador da empresa.
Pela vasta experiência adquirida nestes vinte e cinco anos e com a finalidade de continuar prestando serviços geotécnicos de excelência, cria-se a empresa TriGeo Engenharia Geotécnica, alicerçada no mesmo corpo técnico da Dýnamis Engenharia Geotécnica.
O Eng° Mauro Hernandez Lozano continuará a participar ativamente do dia-a-dia da nova empresa, que tem sua conduta inspirada na Ciência Trilógica que unifica a ciência, a filosofia e a metafísica.
A TriGeo surge para fazer diferença no atendimento e relacionamento com clientes e fornecedores.
Veja mais sobre a TriGeo Engenharia Geotécnica na página da empresa em nosso site

por Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos

A diáspora tecnológica dos profissionais da área privada



Como o tema é bastante delicado preciso de início salientar que o conteúdo desse artigo não expressa uma crítica a quem quer que seja, mas sim trata-se de uma análise factual com que pretendo alertar o meio técnico da geotecnia brasileira, suas associações técnico-profissionais em especial, para a necessidade de uma profunda revisão de sua cultura técnico-associativa.

Diante de sucessivas demonstrações de sua evidência tem sido abundantes em nosso meio as manifestações denunciadoras de um processo de enfraquecimento técnico da engenharia geotécnica brasileira.



Penso que não há entre nós dúvidas a respeito, vivemos hoje no país um notável paradoxo tecnológico: obras e serviços que expressam a altíssima qualidade tecnológica alcançada pela engenharia nacional, sua incrível capacidade de atualização e inovação nas mais refinadas técnicas de projeto e construção, pelo que é reconhecida nacional e internacionalmente, convivendo com crescente número de obras e serviços de incrível e agressiva pobreza tecnológica, nos quais cometem-se erros que já seriam considerados crassos e primários há muitas décadas.

O fenômeno não admite uma análise simplória, várias importantes questões estão envolvidas em seu contexto causal: lacunas de formação escolar e de aperfeiçoamento técnico continuado, vícios e deficiências de procedimentos de contratação e remuneração, decadência do papel e do status dos serviços de fiscalização, aventureirismos empresariais, crescente prevalência do fator comercial sobre o técnico na gestão de obras, esvaziamento tecnológico da administração pública contratante, etc.

Eu focarei nesse artigo uma dessas questões, mas que reputo extremamente grave: a expressiva ausência dos profissionais independentes e dos profissionais empregados de empresas privadas, ou seja, de dezenas de milhares de profissionais que tem o exercício prático da engenharia como seu dia-a-dia, de atividades de atualização, treinamento, debate e intercâmbio técnico promovidas pelas suas associações técnico-científicas, como a ABMS e a ABGE, e pela própria Academia. Refiro-me a congressos, simpósios, seminários e demais eventos técnicos, cursos de pós-graduação, atualização e aperfeiçoamento, à leitura e exame freqüente de revistas e publicações técnicas do setor, à participação em grupos e redes de discussão, etc.

Essas atividades, fundamentais para o amadurecimento técnico do profissional, hoje são fundamentalmente desfrutadas apenas por profissionais pertencentes à Academia e a órgãos e empresas do setor público, alcançando número extremamente baixo de profissionais da área privada.

Não é difícil entender os motivos desse afastamento dos profissionais do setor privado:

• os colegas acadêmicos ou do setor público tem normalmente todas suas despesas de participação em eventos (abono de faltas, inscrição, locomoção, hospedagem, alimentação...) cobertas por suas instituições. Como fator complicante, nossos eventos vem adotando o elitizado costume de confundirem-se com oportunidades turísticas, pelo que vem sendo realizados em locais de típicos altos preços. Os colegas que labutam na atividade privada não tem a cobertura de suas empresas e em sua grande maioria não tem condições pessoais de arcar com o montante das despesas envolvidas na participação.

• as oportunidades de treinamento formal são normalmente oferecidas pela Academia na modalidade clássica de seus cursos de pós-graduação, caracteristicamente extensa carga horária para o cumprimento dos créditos exigidos. A pós-graduação provedora de titulação acadêmica faz sentido apenas dentro do contexto da carreira universitária. Frequentam preferencialmente esses cursos profissionais da própria academia, interessados na progressão de sua carreira, ou profissionais da área pública (que tem seu “ponto” liberado e às vezes, até bolsas de apoio para tanto) interessados em vínculos acadêmicos e também em requisitos de carreira.

Poucos ou inexistentes na área acadêmica são os cursos de curta duração, de especialização ou atualização, com focos técnicos mais específicos, e, portanto, voltados e vocacionados para profissionais de mercado, ou seja, com notória dificuldade de deslocamentos e de empenho de cargas horárias mais elevadas e sem interesse maior em titulações acadêmicas.

• das atividades não formais de atualização e aperfeiçoamento técnico, o exame e leitura de revistas especializadas, livros técnicos e nichos eletrônicos do setor distinguem-se como os recursos mais comuns. No entanto, aqui também nota-se a dificuldade de oportunidades para os profissionais da área privada.

Um exemplo: revelando mais uma vez o cacoete acadêmico que impregna nossa cultura associativa, as revistas produzidas por nossas associações técnicas tem se esmerado nas exigências de edição de artigos e matérias técnicas, buscando com isso candidatarem-se a classificações editoriais que as distingam como referências de valor acadêmico. Tornam-se assim revistas pesadas, pouco atraentes e tecnicamente inadequadas para aqueles que vivem o dia-a-dia real das obras e da geotecnia brasileira.

Frente a esse quadro, de conseqüências técnicas claramente preocupantes para a engenharia brasileira, será importantíssimo que nossas associações técnico-científicas do setor geotécnico dediquem-se a encontrar fórmulas e expedientes que lhes permitam atrair e incorporar às suas atividades de divulgação, debate, atualização e aperfeiçoamento técnico o grande contingente de profissionais da área privada que delas hoje está, em sua maior parte, compulsoriamente apartado.

Por sorte, esse é um objetivo cuja realização depende unicamente de nós mesmos, de nossa vontade e decisão.



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