
Esta área é supervisionada pelo Engº Mauro Hernandez Lozano e sua empresa,
a Dýnamis Engenharia Geotécnica (www.dynamisbr.com.br) que
há mais de 18 anos vem se especializando em soluções de geotecnia em busca de alternativas seguras e econômicas.
É uma tese perigosa e errada que, ao espertamente jogar à população, por conseqüência de uma sua eventual falta de educação, a culpa pelas enchentes, desvia o foco das atenções, subtrai a importância das verdadeiras maiores causas e alivia a responsabilidade dos seguidos governos que não as atacaram devidamente.
Fundamentalmente as enchentes são explicadas pelo afluxo de um enorme volume de água em um tempo cada vez menor para as drenagens construídas (bueiros, galerias, canais...) e naturais (córregos, rios) que progressivamente já não são mais capazes de lhes dar a devida vazão.
Esse aumento do volume de água e a redução do tempo em que chega às drenagens são promovidos essencialmente pela impermeabilização do solo urbano e pela cultura de canalização e retificação de drenagens.
Ou se ataca essa questão, através de medidas que recuperem ao máximo a capacidade de retenção e infiltração das águas de chuva (pequenos reservatórios domésticos e empresariais, calçadas, valetas e pátios drenantes, bosques florestados e arborização intensa, etc,), ou nunca nos livraremos do flagelo das enchentes. As obras de alargamento e aprofundamento das calhas de nossos rios principais são necessárias, mas a realidade mostra que são insuficientes e já se aproximam de seu limite de benefícios.
O lixo? Claro que o lixo é um fator complicante. Mas seus efeitos principais são para um tipo de enchente muito localizado, junto às proximidades de um bueiro ou em uma situação que exija o funcionamento de bombas de sucção, por exemplo. Vejam que nas cenas televisadas de enchentes é muito mais comum ver-se água jorrando dos bueiros e bocas de lobo do que sendo impedida de entrar.
Essas águas que jorram são o retorno das águas para as quais as galerias e córregos não conseguem dar a devida vazão.
Por outro lado, é sabido que o intenso assoreamento (entulhamento) do sistema de drenagem (que impõe a necessidade das milionárias operações de desassoreamento) constitui hoje um importantíssimo fator de redução da capacidade de vazão dessas drenagens.
Pois bem, do volume total do material de assoreamento 95% são constituídos por sedimentos provenientes dos processos erosivos nas frentes de expansão das cidades, e apenas 5% são constituídos por lixo urbano e entulho de construção civil.
Por outro lado, nem todo o lixo disperso nas drenagens da cidade é proveniente do ato deseducado de se lançá-lo irregularmente, há problemas ainda bem sérios de deficiências de recolhimento do lixo doméstico, especialmente em áreas habitacionais irregulares de baixíssima renda situadas em fundos de vale e áreas de risco.
Enfim, o sucesso de um programa de combate às enchentes exige, antes de mais nada, a compreensão exata de toda a dinâmica do fenômeno, assim como a corajosa decisão das autoridades públicas e privadas em assumir suas intrínsecas responsabilidades. O que não condiz com a comodidade de se jogar às costas da população a culpa pelos problemas.
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Comentários dos leitores:|
Nossos leitores já fizeram 2 comentários sobre este artigo: De: Artur Pereira Freitas (em 2009-04-03 00:26:02) Enchentes - Outras causas Apesar do lixo ser um dos vilões das enchentes, o assoreamento de rios e canais e a falta de manutenção, principalmente uma dragagem adequada nas bocas dessas vias, tornam improváveis que ocorram enchentes sucessivas. Exemplo disso, é a Alameda SãoBoaventura em Niterói, passando nesse momento por um processo de obras para ampliação das vias de rolamento, onde após mais de 50 anos de sucessivas enchentes, hoje, com a dragagem na saída do canal, na Baía da Guanabara, sob a Ponte Rio-Niterói, onde funcionava o antigo Estaleiro Renave, não mais ocorrem enchentes, apesar das fortes chuvas ocorridas nos últimos 6 (seis) meses. Exemplo a ser seguido: "se limpar a foz, se desobstruir o rio ou o canal, se educar o povo (conscientizar), teremos dias melhores, sem enchentes" De: carol (em 2009-03-26 21:39:13) A hora e a Vez da Irresponsabilidade Ambiental Pelo texto em questão, expõe o Geólogo Álvaro , o que acontece nos dias de hoje, por irresponsabilidade das administrações públicas que responsabilizam as enchentes pela falta de educação ambiental. A solução não se restringe à educação ou a sistemas não estruturais ou sistemas estruturais mas, ao conjunto de todas elas, ou seja, decisões que minimizem o poder devastador das enchentes ou enxurradas; piso permeável, calçadas permeáveis, piscinões, telhados com calhas que conduzem a água a reservatórios, drenagem urbana e educação ambiental em relação ao lixo descartado em via pública, entre outros.
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