
Esta área é supervisionada pelo Engº Mauro Hernandez Lozano e sua empresa,
a Dýnamis Engenharia Geotécnica (www.dynamisbr.com.br) que
há mais de 18 anos vem se especializando em soluções de geotecnia em busca de alternativas seguras e econômicas.
Desde décadas têm sido assim priorizados, quase com exclusividade, os dispendiosos serviços de ampliação e manutenção das calhas dos principais rios metropolitanos e, mais recentemente, a instalação dos deletérios piscinões, verdadeiros atentados urbanísticos, sanitários e ambientais. A realidade tem sido madrasta dessa lógica limitada e mostrado claramente que as obras hidráulicas estruturais por si só, ainda que indispensáveis, são insuficientes frente a um propósito de se reduzir drasticamente a quantidade e a intensidade das enchentes na região.
As causas principais de nossas enchentes estão associadas a alguns fatores perfeitamente identificáveis. Primeiramente há que se considerar as características geológicas e hidrológicas naturais da região da Bacia do Alto Tietê, hoje ocupada pela metrópole paulistana.
Nessas condições naturais os rios Tietê, Pinheiros, Tamanduateí e outros apresentavam-se originalmente totalmente meandrantes e sinuosos, com baixíssima declividade, revelando que a região, antes do homem branco por aqui chegar, já naturalmente demonstrava uma grande dificuldade em escoar suas águas superficiais.
Não reconhecendo e não levando em conta essas características naturais a metrópole desenvolveu-se sob a cultura da impermeabilização e da canalização e retificação de seus cursos d’água, reduzindo enormemente a capacidade original da região em infiltrar e reter as águas de chuva. Como decorrência, volumes crescentemente maiores de água, em tempos sucessivamente menores, são escoados para drenagens naturais e construídas progressivamente incapazes de lhes dar vazão.
Agravando esse quadro vêm sendo progressivamente ocupados os terrenos mais periféricos, de relevo mais acidentado e com solos extremamente mais vulneráveis à erosão. Opta-se, nessas condições topográficas, por produzir artificialmente, através de operações de terraplenagem, pontuais ou generalizadas, áreas planas e suaves para assentar as novas edificações, implicando em exposições cada vez maiores e mais prolongadas dos solos aos processos erosivos.
Como resultado direto são produzidos anualmente por erosão na RMSP cerca 3.500.000 metros cúbicos de sedimentos silto-arenosos, cujo destino inexorável é o assoreamento fantástico de toda a rede metropolitana de drenagem, reduzindo, juntamente com o entulho de construção civil e o lixo urbano lançados irregularmente, ainda mais sua já sobrecarregada capacidade de vazão.
Uma observação preocupante, e que revela a pouca abrangência da atual estratégia de combate às enchentes, a metrópole continua a crescer cometendo os mesmos trágicos e elementares erros que estão na origem de todos esses problemas.
Se levar corretamente em conta esse diagnóstico, condição indispensável para o êxito no combate às enchentes, a administração pública deverá necessariamente complementar seu programa com um audacioso grupo de ações que incidam diretamente sobre as causas maiores das enchentes.
Planejar e colocar regras claras e rígidas para o crescimento urbano. Aumentar a capacidade de retenção de águas de chuva por infiltração e reservação com expedientes técnicos de desimpermeabilização da área urbanizada – pavimentos, calçadas, valetas, pátios e tubulações drenantes, poços e trincheiras de infiltração, intenso plantio de médios e pequenos bosques florestados - e instalação de reservatórios empresariais e domiciliares.
Concomitantemente, reduzir drasticamente os intensos processos erosivos que incidem sobre todas as frentes de expansão urbana da metrópole, hoje palco de um verdadeiro desastre geológico, assim como o lançamento irregular do entulho de construção civil e do lixo urbano.
Algumas ações pontuais da PMSP, como a conservação das várzeas do Tietê a montante da Barragem da Penha e a implantação de parques lineares são auspiciosas, mas ainda extremamente limitadas frente à dimensão da Bacia do Alto Tietê, 6 mil Km², com mais de 30 municípios integrantes.
O que exige, por decorrência, que o combate às enchentes, diferentemente do que vem sendo feito hoje, tenha articulação e comando de caráter metropolitano.
Você conhece o "Curso a distancia IBDA - SitEscola? Veja os cursos disponíveis, e colabore com o IBDA, participando, divulgando e sugerindo novos temas.
Mais artigos sobre este mesmo tema:
Comentários dos leitores:|
Nenhum comentário até o momento. Seja o primeiro a comentar este artigo! |
• Se você já se cadastrou no site, basta fornecer seu nome e senha.
• Caso ainda não tenha se cadastrado basta clicar aqui.
Indique esse texto: